Exame papanicolau: descubra aqui por que e quando fazer

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Ao longo dos anos, a medicina aprimorou sua visão e, em vez de tratar apenas as doenças, passou a prestar uma assistência completa à população. Uma das mais importantes vertentes do cuidado passou a ser a prevenção e o rastreio de patologias.

Como exemplo disso temos o exame papanicolau, que é um método utilizado para o rastreamento do câncer de colo do útero — uma condição muito associada à presença do papilomavírus humano —, o HPV e a sífilis.

Selecionamos algumas informações importantes sobre o exame papanicolau, a importância de realizá-lo e que doenças ele ajuda a detectar. Acompanhe o texto e fique por dentro do assunto!

O câncer de colo de útero

Em 2016, o câncer de colo de útero foi o terceiro tipo de tumor maligno mais presente nas mulheres brasileiras. Ele é causado pelos tipos oncogênicos do papilomavírus humano, mais conhecido como HPV.

Embora tenha elevada prevalência, a sua incidência tem diminuído ao longo dos anos. Os dados revelam que, por mais que ainda sejam vistos muitos casos, a quantidade de novos casos tem reduzido.

Além disso, é preciso ressaltar que a taxa de sobrevida é elevada. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a taxa em questão foi de 61% ainda em 2016, ou seja, 6 de cada 10 mulheres que apresentaram câncer de colo de útero sobreviveram ao tratamento.

Conforme já informado, o principal fator de risco para surgimento da doença é, de fato, presença do vírus HPV. No entanto, foi constatado que o tabaco também pode estar associado a esse tipo de câncer, visto que alguns componentes alteram as células do colo do útero, aumentando a predisposição para as mutações malignas.

O exame papanicolau, também conhecido como exame citopatológico, é o principal método utilizado para o rastreio do câncer em questão. Não podemos nos esquecer que já são disponibilizadas vacinas contra o vírus, sendo então mais uma forma de prevenir o desenvolvimento do tumor.

A importância do exame papanicolau

Quando pensamos na manifestação clínica do câncer de colo de útero, não é possível citar sintomas específicos que são detectados precocemente. Sendo assim, muitas mulheres só procuram ajuda especializada quando a doença já está em uma fase mais avançada. Por esse motivo, é essencial a realização de exames de rastreio. 

O Ministério da Saúde indica a realização do preventivo para mulheres com idades entre 25 e 64 anos que já tenham iniciado a vida sexual. Pensando em mulheres com menos de 25 anos, estudos indicam que há grande possibilidade do tumor sofrer regressão.

Além da faixa indicada, é preciso se atentar para o seguinte fato: caso a mulher realize o papanicolau por 2 anos consecutivos, sendo 1 vez a cada ano, e ambos os resultados sejam negativos, ela poderá realizá-lo a cada 3 anos posteriormente.

Contudo, considera-se cada caso individualmente na medicina. Em mulheres imunossuprimidas, por exemplo, não se espera até os 25 anos para realizar o primeiro preventivo. Na verdade, logo no início da vida sexual é preciso realizar o exame — a cada 6 meses no primeiro ano. Caso ambos apresentem resultado negativo, a coleta citopatológica deverá ser feita anualmente.

Já no caso de mulheres que já estão na fase de menopausa, algumas condutas devem ser tomadas antes da realização do preventivo. Em alguns casos, é necessário prover o hormônio estrogênio, pois ele melhora a qualidade das células que serão analisadas.

Pensando no efeito causado pela realização do exame papanicolau, o primeiro grande ponto é a redução drástica na incidência do câncer de colo de útero. Além disso, estima-se que aproximadamente 50% das pacientes com câncer de colo de útero não haviam realizado preventivo previamente.

O modo como o papanicolau é realizado

O exame papanicolau pode ser realizado por qualquer profissional de saúde apto, não sendo ele necessariamente um médico. A paciente deve se abster de sexo vaginal, duchas e cremes por um período de 24 a 48 horas prévias ao exame. Além disso, não deve estar menstruada. Todos esses cuidados são tomados para não prejudicar o material coletado.

O examinador deve estar com as mãos enluvadas, não sendo o material necessariamente estéril. Já aqueles que serão introduzidos, como espéculo, espátula de Ayre e escova endocervical são únicos para cada paciente, ou seja, serão descartados após a realização.

Após a passagem especular adequada, é preciso avaliar a presença de corrimento e, preferencialmente, retirar o excesso. Em seguida, a espátula de Ayre é introduzida para coletar as células de toda a superfície do colo e o conteúdo obtido é depositado na lâmina.

Depois da espátula de Ayre, a escova endocervical é introduzida na região do interior do colo. Novamente, o conteúdo coletado é passado em outra região da lâmina da paciente. Com a coleta totalmente feita, a lâmina é guardada em local devidamente identificado.

A maneira como a análise é feita

Analisando estatisticamente a eficácia do exame, ele apresenta 99% de sensibilidade, com especificidade mais baixa. Isso quer dizer que ele é muito bom em detectar alterações de celularidade, mas não é preciso em informar qual é a alteração presente. 

O objetivo é detectar malignidade nas células da ectocérvice e da endocérvice de mulheres que aparentemente apresentam o colo normal. 

A análise é feita com base na maturação citoplasmática, ou seja, se está preservada ou não. Além disso, é preciso observar se as células apresentam características anormais em sua proliferação, como indícios de mitoses atípicas. O núcleo celular informa muito sobre o processo de divisão celular, portanto, é indispensável analisar o aspecto da estrutura.

Por fim, ressaltamos dois aspectos: devido à elevada sensibilidade do exame, é possível que inicialmente seja obtida uma grande quantidade de falsos-positivo. Portanto, em caso de detecção de alteração celular, é preciso fazer uma análise mais aprofundada.

O outro ponto importante é a necessidade de uma coleta benfeita, sem que fatores externos sejam capazes de alterar a integridade das células do colo do útero.

O exame papanicolau é um grande avanço da medicina e essencial para a redução da mortalidade em decorrência do câncer de colo de útero. Considerando que esse tipo de tumor maligno é o terceiro que mais acomete as mulheres, a realização periódica do exame deve ser incentivada. 

Uma vez detectada alteração e confirmado o diagnóstico, o tratamento precoce auxilia no aumento da sobrevida após tomadas as condutas adequadas.

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